
A boca
Quando te vi, não só a boca estava nua... tua alma me olhava de lábios entreabertos... vontade crua...
Na língua ávida, esse brilho quente, um convite a um mergulho profundo, intenso... irresponsável... displicente, como o tempo e o gosto de infância...
o enlace molhado... sorver teu gosto, dissolver-me completamente em tua sede...
quando em teu colo... me calo e sonho...
mergulho num poço de escura ternura... abrigado no calor de uma alma alada...
que nos faz planar além da fronteira com a loucura...
Nesse ninho, conspira a magia do mais simples toque... e transborda em rios o suor, o suspiro, o afago sem fim... o olhar em êxtase... e aquele sorriso malicoso, de quem ultrapasou o último portal do desejo...
Agora repouso ao lado do teu eu... permaneço entre o abraço da sua pélvis e adormeço no transe de uma saudade...
ansiando por mais um despertar desejoso...
O palácio
Nos braços agasalho meus sonhos e comemoro as mais simples vitórias...
Ainda estou pronto para todas as guerras... confio em minha lâmina forjada em aço azul... nas chagas trago o aço da tua lança, os dardos do teu ódio... mas não conseguirá me envenenar...
O manto do Leão de Medéia, me foi dado quando ainda era uma criança...
não há perdão para aquilo que não me feriu... a lança em tuas mãos, certamente, sangrará muito mais...
Tuas coxas, são as colunas onde repouso meu corpo... onde encontro o sono dos deuses... no seu encontro, nasce a fonte da vida e verte o mais puro hidromel... néctar divino...
sem pudor, me banho do ventre a face...
Teus olhos, são a candeia que ilumina meu caminho... o cristal do dia seguinte... o talismã de brilho vítreo...
Teu vestido, meu véu e meu manto... ora me protege de te ver... outras aquece o coração... e instiga o desejo insano...
Tuas mãos, o passaporte... meu encontro com outras terras... onde saio de mim... e adentro sem pedir licença para além do horizonte...
A volta
Doce toque de pele, elétrico cheiro de pensamento e segredo...
Já estou contigo...
Como a uma fruta colhida no campo, dispenso os pratos e talheres...
Colho-te com as mãos, dispo-te com a boca...
E com os lábios sequiosos e inundados de vontade, sorvo a riqueza do teu momento...
Esse cheiro inebria e toma o ar... e nos conduz como melodia, na valsa da brisa dos teus íntimos sussurros... escuto atento a cada um...
Como o vento, vai e semeia a cada recanto... sem cerimônias, escapulindo... no ar, pelo ar... como um barco, desliza sobre a pele de cristal do mar... e vai além... e assim desvendo você...
Mãos que tocam por onde não se diz...
Nem sei onde, mas... prescisarei te buscar?
“Não”... aqui já a encontrei... e sinto roçar em mim teu cheiro de mulher...
Confundo-me com o prato que te sirvo... nem sei se te alimento ou se sou eu a quem devoras...
Faiscam teus olhos, ruge forte um leão no peito... descanso em paz, na força que sinto em saber que és feliz... viver e ser...
Quando embora fui, de certa forma, já estava voltando pra você...
O barco
Escuto o som dos mares...
Numa simples concha encontro a essência de todos os oceanos...
Em um sorriso mudo, farejo a brisa no ar... rajadas molhadas salgam minha face... navego em sonho de terra firme...
Floreio a cena com estrelas, que no mar são a salvagarda dos navegantes da noite...
A luz... o teu farol conduz a um caminho de amor, em meio a cumplicidade dos corais e a proteção dos arrecifes... não há medo em naufragar...
Não me importo que me toquem... pois na recompensa dessa odisseia estarei unguentando as feridas cicatrizadas, como vitórias de mais uma batalha vencida...
Calmo e brando... cumplice e atento... perco-me no firmamento... singrando a beleza de viver e amar... amar o simples... com espírito de grande conquista...
Suspiro baixo... mas não me contenho de estar cheio de felicidade... quem tem olhos para ver... saberá o quanto cresce esta invisível satisfação, vai explodindo... infinita e silenciosamente... em gratidão e amor...
Como um fumegante por-de-sol... que mesmo em silêncio, toma os confins e a metade do mundo... e esta metade hoje me pertençe...
Ainda serei aquele que é sempre atento e no meu nome carregarei pelos tempos o signo de todas as guerras...
Passageiro
Estava ali, como se a mão estivesse sempre estendida... a espera do toque tímido e desconfiado...
Não, isso nunca aconteceu... a verdade, é que recebi um sem número de oferendas... e por isso, as mãos se apresentavam...
Presentes estes, que internamente guardei... e nem aquela que os ofertou será capaz de tomá-los...
Em cada minuto de silêncio congelado, mesmo quando adormecida... percebi que algo gritava em ti... Tempestade...
Passeava com meus pensamentos, em quando contemplava, tateando de leve teu corpo com a íris... raidografando a intimidade de teus poros... decifrando as fragâncias do teu sorriso mais sutil...
Descobrindo em teus suspiros, o gosto dos teus sonhos...
Os sonhos e teus gostos...
Senti alegria no peito... em poder velar por ti... conhecer-te, desvendar sua escuridão... num céu negro, derramado sobre estrelas maduras...
Quando te vi, não só a boca estava nua... tua alma me olhava de lábios entreabertos... vontade crua...
Na língua ávida, esse brilho quente, um convite a um mergulho profundo, intenso... irresponsável... displicente, como o tempo e o gosto de infância...
o enlace molhado... sorver teu gosto, dissolver-me completamente em tua sede...
quando em teu colo... me calo e sonho...
mergulho num poço de escura ternura... abrigado no calor de uma alma alada...
que nos faz planar além da fronteira com a loucura...
Nesse ninho, conspira a magia do mais simples toque... e transborda em rios o suor, o suspiro, o afago sem fim... o olhar em êxtase... e aquele sorriso malicoso, de quem ultrapasou o último portal do desejo...
Agora repouso ao lado do teu eu... permaneço entre o abraço da sua pélvis e adormeço no transe de uma saudade...
ansiando por mais um despertar desejoso...
O palácio
Nos braços agasalho meus sonhos e comemoro as mais simples vitórias...
Ainda estou pronto para todas as guerras... confio em minha lâmina forjada em aço azul... nas chagas trago o aço da tua lança, os dardos do teu ódio... mas não conseguirá me envenenar...
O manto do Leão de Medéia, me foi dado quando ainda era uma criança...
não há perdão para aquilo que não me feriu... a lança em tuas mãos, certamente, sangrará muito mais...
Tuas coxas, são as colunas onde repouso meu corpo... onde encontro o sono dos deuses... no seu encontro, nasce a fonte da vida e verte o mais puro hidromel... néctar divino...
sem pudor, me banho do ventre a face...
Teus olhos, são a candeia que ilumina meu caminho... o cristal do dia seguinte... o talismã de brilho vítreo...
Teu vestido, meu véu e meu manto... ora me protege de te ver... outras aquece o coração... e instiga o desejo insano...
Tuas mãos, o passaporte... meu encontro com outras terras... onde saio de mim... e adentro sem pedir licença para além do horizonte...
A volta
Doce toque de pele, elétrico cheiro de pensamento e segredo...
Já estou contigo...
Como a uma fruta colhida no campo, dispenso os pratos e talheres...
Colho-te com as mãos, dispo-te com a boca...
E com os lábios sequiosos e inundados de vontade, sorvo a riqueza do teu momento...
Esse cheiro inebria e toma o ar... e nos conduz como melodia, na valsa da brisa dos teus íntimos sussurros... escuto atento a cada um...
Como o vento, vai e semeia a cada recanto... sem cerimônias, escapulindo... no ar, pelo ar... como um barco, desliza sobre a pele de cristal do mar... e vai além... e assim desvendo você...
Mãos que tocam por onde não se diz...
Nem sei onde, mas... prescisarei te buscar?
“Não”... aqui já a encontrei... e sinto roçar em mim teu cheiro de mulher...
Confundo-me com o prato que te sirvo... nem sei se te alimento ou se sou eu a quem devoras...
Faiscam teus olhos, ruge forte um leão no peito... descanso em paz, na força que sinto em saber que és feliz... viver e ser...
Quando embora fui, de certa forma, já estava voltando pra você...
O barco
Escuto o som dos mares...
Numa simples concha encontro a essência de todos os oceanos...
Em um sorriso mudo, farejo a brisa no ar... rajadas molhadas salgam minha face... navego em sonho de terra firme...
Floreio a cena com estrelas, que no mar são a salvagarda dos navegantes da noite...
A luz... o teu farol conduz a um caminho de amor, em meio a cumplicidade dos corais e a proteção dos arrecifes... não há medo em naufragar...
Não me importo que me toquem... pois na recompensa dessa odisseia estarei unguentando as feridas cicatrizadas, como vitórias de mais uma batalha vencida...
Calmo e brando... cumplice e atento... perco-me no firmamento... singrando a beleza de viver e amar... amar o simples... com espírito de grande conquista...
Suspiro baixo... mas não me contenho de estar cheio de felicidade... quem tem olhos para ver... saberá o quanto cresce esta invisível satisfação, vai explodindo... infinita e silenciosamente... em gratidão e amor...
Como um fumegante por-de-sol... que mesmo em silêncio, toma os confins e a metade do mundo... e esta metade hoje me pertençe...
Ainda serei aquele que é sempre atento e no meu nome carregarei pelos tempos o signo de todas as guerras...
Passageiro
Estava ali, como se a mão estivesse sempre estendida... a espera do toque tímido e desconfiado...
Não, isso nunca aconteceu... a verdade, é que recebi um sem número de oferendas... e por isso, as mãos se apresentavam...
Presentes estes, que internamente guardei... e nem aquela que os ofertou será capaz de tomá-los...
Em cada minuto de silêncio congelado, mesmo quando adormecida... percebi que algo gritava em ti... Tempestade...
Passeava com meus pensamentos, em quando contemplava, tateando de leve teu corpo com a íris... raidografando a intimidade de teus poros... decifrando as fragâncias do teu sorriso mais sutil...
Descobrindo em teus suspiros, o gosto dos teus sonhos...
Os sonhos e teus gostos...
Senti alegria no peito... em poder velar por ti... conhecer-te, desvendar sua escuridão... num céu negro, derramado sobre estrelas maduras...


