domingo, 1 de julho de 2007

Abducida

Afastando... cada vez mais distante desse ponto...
A essência nunca é perdida, mas a carga que sobrepõe aos ombros talvez possa provocar incômodos desconcertantes...
A boca salivante enche de desejo quando os olhos miram a fruta tão apetitosa... contudo, seu gosto ainda é uma dádiva conhecida apenas nos braços da imaginação...
Os olhos que miram, acariciam a pele ainda não tocada... o desejo de possuir por inteiro ao contato mais sutil na delicada tez...
Mãos ávidas em sentir a liquidez da alma escorrer-lhe entre os dedos... é o possuir sem ter...
O beijo sorve em seu hálito os espíritos enamorados... na troca constante do eu pelo tú... levando-os distante, um a misturar-se ao outro...
na confusão das coxas, na inexorável nitidez dos sons... na profundidade do silêncio, quando até ele se cala...
há um rio correndo... mas não sei onde nasce, nem aonde vai...
eu vou com ele... pois ele segue comigo... em mim...