quinta-feira, 21 de junho de 2007

É melhor viver bastante...

Começa com uma brisa no rosto... daquelas que ao entardecer de um dia comum, parece nos surpreender em beleza, enquanto o espetáculo cromático da despedida esmaece aos poucos... dando lugar aos mistérios fortuitos da noite...
Percebemos que o tempo passou, e mais uma vez as oferendas do dia não foram abertas e vividas...

Quero estar numa cama macia com cheiro de “meu reino”... onde até o ar parece nos pertencer... os livros e discos à volta... e o desleixo natural de ser o dono de si...

E quando cansar de descansar, sentir o cheiro salivante de algo que é posto à mesa... seu gosto lembra tempos idos, pessoas, momentos, alegrias inomináveis... a saudade de provar novamente, como na primeira vez....

Ter desprendimento para ir ao reencontro com o abraço... a satisfação de rever, lembrar, reviver... ou melhor, reinventar os momentos bons compartilhados... seja em bando ou aos tiquinhos...
E no aperto de mão da despedida... carregá-lo da vontade sincera de querer revê-lo... ser grato por algo sem nome, que aperta a garganta e tão contraditoriamente nos faz ser tão plenos e felizes...

Eu vi isso sendo desenhado na dança das pipas, suspensas pelo bater de asas do vento...

No sorriso inocente por um presente novo e inesperado...
Na primeira troca de olhares, quando o amor desperta...
Nas vezes que tive de estender as mãos...
Na dor da perda do primeiro querido que se foi...
Depois de respirar fundo... e sentir que a mesma vida que parece se esvair a cada chamado de “Cronos”...
Então, pude preencher os pulmões... e sentir que ainda há energia que dá pra me levar a seguir por outro tanto do caminho à minha frente!
Não tenho pressa em morrer, por isso, é melhor viver bastante...

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Daqui pra aí...

Tá acontecendo muito perto, não dá pra ficar longe... Difícil é querer viver e não ter uma coleção de cicatrizes pra mostrar...