sexta-feira, 5 de outubro de 2007

O começo...


O querer é algo involuntário... como respirar...
Perde-se o fôlego no desejo, mas de súbito, tem-se ou não o usufruto...
Ter... é questão de ser abençoado... de estar por um segundo coroado... e totalmente embriagado por viver e compartilhar momentos indivisíveis...

Lembrar... é saber que um dia fui digno da dádiva e do prazer ali descobertos... revividos e reinventados... sentidos infinitamente, mesmo que por um instante apenas... do fim para o começo... mergulhados, num começo sem fim...

Esquecer... como farei isso?
Um sopro íntimo... uma fragância vinda das frutas mais desejadas...
Me deito ao teu colo... colho um beijo orvalhado de vontades... quero apenas um abraço... tomar pra mim o calor real do teu corpo...
E nele encontrar a melhor das despedidas...

Agora guardo em mim o melhor de ti... acredite, não é pouco...
e aquilo que ainda estava escondido... assim continuará... e por todo tempo dos tempos, ficará guardado na casa sem nome... onde transita o homem que perdeu o rosto...
E agora ela poderá deitar aliviada...

O adeus nunca é suave... pois mesmo assim, nunca estarás longe...
A mão continuará aberta... e o coração ainda será um abrigo... pois este, não cansa de bater... nem tão pouco de amar...

Tudo parece familiar agora... quando vivido... sentido... desejado...
não digo que são familiares, por que são parecidos com outros momentos passados... são familiares porque, parece que há tempos eu já os vivia...

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

No caminho do prazer inacabado...


Suas asas de pêlos macios envolvem e flutuam no meu pensamento...
Nas lembranças doces de tardes juvenis, no gosto ácido do desejo que não tem freio...
Essas asas que parecem abrir-se ao infinito... Encontram-se unidas num corpo delgado... lângido... úmido...
Atiça meu desespero de sorver a infrutescência madura que se esconde em tuas asas...
Numa vontade sussurrante... que ecoa fundo... buscando fazer subir nessas peças aladas e aveludadas...

O açoite rígido do corpo... o mergulho profundo e sereno...
Minuciosamente calculado... injetando sabor e ânsia... extraído uma explosão lenta e avassaladora...
Quero estar em ti pela eternidade desse momento sem explicação... o grito surdo vira música e dá rítimo para o corpo...


Quero debruçar o corpo e navegar nas suas águas quentes e cálidas...
Acompanhar em galope um rebanho colorido de asas, que por pouco não posso tocar... pois voam soltas a minha frente...
Abrir caminho nas montanhas e vales... banhar-me nas cachoeiras melíferas...
Sorrir jocosamente, olhando no fundo dos teus olhos...
E descansar no carinhos dessas encostas macias...
Em sua essência... tem algo que me faz te desejar mais e mais...
Quando assim estou... caminho ao topo do mundo e o tenho sob meus pés!

Na música quente da Lua que me encanta e faz bailar nos seus quadris... beijo sua face por horas infindadas...

E quando acaba... novamente começa o meu desejo...
Só encontro meu fim... na saudade... daquilo que ainda ficou inacabado...
E término, nunca terá... em mim...

terça-feira, 7 de agosto de 2007

A luz...


No começo era só luz... de tudo me falava... como que as palavras escorregassem da boca e era assim, simples... fluente e reluzente...
o brilho da íris, o reflexo da pele...
o sorriso de marfim...
até as palavras de carinho e desejo tinham um brilho sonoro e portanto, ofuscavam de forma envolvente...
faziam cerrar os olhos e divagar nas profundas e sinuosas estradas do bem querer... do estar junto...
caminhava sob o imenso manto azul do céu, vestido com o raiar quente do sol, e assim, nutria ainda mais essa querência de viver...
Todas as vezes, que sozinho retornei ao meu lugar, sentia o “estar vivo”...

Era a época em que os segredos de alcova eram menos importantes que o compartilhar dos banais anseios de cada dia... o êxtase da procura pela felicidade simples...
o riso franco... desprovido de máscaras e pudores...
o aconchego amigo... a paz infinitesimal de cada segundo passado juntos...
a refeição depois do banquete do corpo e da alma...
a partida e o prazer do reencontro...

tudo são escolhas... e assim, somos aquilo que escolhemos ser...
sem esforço...

terça-feira, 24 de julho de 2007

Volto ao caminho esquecido...


Meu caminho já não é tão esquecido.
Este caminho há muito deixara de ser transposto...
Plantas cresciam desordenadamente por todo lado...
Agora que tomei um fôlego, atrevo-me em um novo “passeio”.

Mais uma vez, pude vê-los...

Estavam parados, sentados bem ali, sobre as madeiras suspensas do lago...
Frente àquela velha árvore, que tem seu tronco submerso...
Pássaros de várias espécies repousam em seus galhos e vez por outra, buscam nas margens, alimento e água.
No horizonte mais um dia se vai... minguando aos poucos...
Rajando o céu com seus cromáticos raios... num espetáculo surreal...
Repousa em suas mãos duas magníficas espécimes de pombos, sua plumagem é como a mais pura seda...
Buscando sentir as suas formas, corre-lhe a mão em seus corpos...
Ambos eriçam por completo, a ponto de parecerem estar prestes a alçar vôo...
Sente nas palmas o toque dos seus afiadíssimos bicos, rijos, a rasgar-lhe o peito em vez das mãos...
Suas carnes firmes e voluntariosas deslizam entre as mãos, jocosamente....
Não se sabe mais se querem ou não livrar-se daquela prisão...
Aos sussurros conta-lhe estórias aos ouvidos, por entre a cascata negra de cachos revoltos, que lhe escorrem sobre as costas e ombros nus...
Fala-lhe do dia em que sonhara ter bebido de uma fonte a qual vertia o mais doce dos néctares...
Do perfume que emanava desses campos.... E o quanto gostaria de beber-lhe novamente.
Sente junto a si, um suspirar profundo e um hálito de flores orvalhadas...
Foi quando sentira suas mãos subitamente envolvidas... envolvidas por mãos que não vinham à guisa de libertar os pássaros, queriam sim, firmar-lhe na guarda e no afago destes...
Mais uma vez toca-lhes os bicos intumescidos...
E colhe um beijo...
arde-me o peito.

Queria esquecer onde estava e aonde ia...

Galgava alguns sonhos... que, naquele instante perdiam todo o sentido... queria prender o fôlego, perder-se no tempo e alçar vôo naquelas asas de pássaro...

A Lua é cheia...
Amo-a por testemunhar tão silenciosa a esta odisséia... seu olho sublima... é o único brilho no breu da noite... confunde-se entre as nuvens no arder do dia...
Este olho noturno ilumina os passos, me incendeia em seus devaneios.

Mergulha ao interior do lago, busca acalmar o incêndio que o consome...
Deita-se no tapete liquefeito que o envolve...
Devolve-lhe a plácida e provocante visão dos pássaros que a pouco repousavam em suas mãos...
Seus corpos revelaram-se tão mais belos quando banhados pelo frescor destas águas... sua plumagem torna-se viva e maciça, seu contorno é irretocável...
Estais a perguntar: Porquê?
Dispensas um sorriso ante este ar de calma e beleza irretocável...
Agora que o sorriso acontece, seu eu paira em pura calmaria...
Deseja-a no escuro dos seus dias... nos teus dias mais escuros.

Ele pergunta: Que me fizeste?

Deseja-a...
A pele que vagueia sobre a pele... pêlos e poros que se beijam...
Deitar a boca em seus infindos recantos... o gosto... o cheiro...
O lábio trêmulo quer sorver o beijo infinito... Abraçar o corpo, sentir-se junto... cada vez mais.

Ele enxerga aqueles olhos frente a frente... fortes, lânguidos, questionadores...
Brilham sem ofuscar... fogem... sem desaparecer por completo...
Queres vê-la, senti-la... estar em paz no silencioso envolvimento da sua companhia, deixar que os sentimentos fluam, ruidosamente...

A Lua é tão clara!
E diz-me sempre: “permita-se um delito... saboreie-o! Cumpra-se o desejo...”

Querem seqüestrar-te...
Estar ao teu lado, um pouco que seja...
para assim sentir-se nos pilares do mundo.

Quando fui traído... encontrava-me de pé, com os punhos cerrados...

Ele não podia roubá-la, pois nunca conseguiria trair a si...
Acredita demais os seus princípios, para que tenha de mentir uma vez sequer...
Não quer que lhe pertença, apenas que desfrute...
Dos risos... do silêncio...
Da carícia fraterna, do segredo mais simples...
Quer ser seu cúmplice...
Enquanto chega o verdadeiro acalento...

Não me possuas com a sua ausência!

O caminho agora é verde, há um mar folhas que despencam bailando nos ares antes tocarem a face jovem da terra...
É bem verdade...
Meus amores estão em toda parte, salve!!!
Desejo um cigarro...
Mas, não penso em traga-lo... apenas, vê-lo arder... até o seu fim...
enquanto o tempo obrar seu “lavoro”, de consumir... e consumir...
Mesmo inconformado com a falta que fazes, posso ainda ousar em sorrir...
Pois ainda guardo em mim um pouco de ti.

domingo, 1 de julho de 2007

Abducida

Afastando... cada vez mais distante desse ponto...
A essência nunca é perdida, mas a carga que sobrepõe aos ombros talvez possa provocar incômodos desconcertantes...
A boca salivante enche de desejo quando os olhos miram a fruta tão apetitosa... contudo, seu gosto ainda é uma dádiva conhecida apenas nos braços da imaginação...
Os olhos que miram, acariciam a pele ainda não tocada... o desejo de possuir por inteiro ao contato mais sutil na delicada tez...
Mãos ávidas em sentir a liquidez da alma escorrer-lhe entre os dedos... é o possuir sem ter...
O beijo sorve em seu hálito os espíritos enamorados... na troca constante do eu pelo tú... levando-os distante, um a misturar-se ao outro...
na confusão das coxas, na inexorável nitidez dos sons... na profundidade do silêncio, quando até ele se cala...
há um rio correndo... mas não sei onde nasce, nem aonde vai...
eu vou com ele... pois ele segue comigo... em mim...

quinta-feira, 21 de junho de 2007

É melhor viver bastante...

Começa com uma brisa no rosto... daquelas que ao entardecer de um dia comum, parece nos surpreender em beleza, enquanto o espetáculo cromático da despedida esmaece aos poucos... dando lugar aos mistérios fortuitos da noite...
Percebemos que o tempo passou, e mais uma vez as oferendas do dia não foram abertas e vividas...

Quero estar numa cama macia com cheiro de “meu reino”... onde até o ar parece nos pertencer... os livros e discos à volta... e o desleixo natural de ser o dono de si...

E quando cansar de descansar, sentir o cheiro salivante de algo que é posto à mesa... seu gosto lembra tempos idos, pessoas, momentos, alegrias inomináveis... a saudade de provar novamente, como na primeira vez....

Ter desprendimento para ir ao reencontro com o abraço... a satisfação de rever, lembrar, reviver... ou melhor, reinventar os momentos bons compartilhados... seja em bando ou aos tiquinhos...
E no aperto de mão da despedida... carregá-lo da vontade sincera de querer revê-lo... ser grato por algo sem nome, que aperta a garganta e tão contraditoriamente nos faz ser tão plenos e felizes...

Eu vi isso sendo desenhado na dança das pipas, suspensas pelo bater de asas do vento...

No sorriso inocente por um presente novo e inesperado...
Na primeira troca de olhares, quando o amor desperta...
Nas vezes que tive de estender as mãos...
Na dor da perda do primeiro querido que se foi...
Depois de respirar fundo... e sentir que a mesma vida que parece se esvair a cada chamado de “Cronos”...
Então, pude preencher os pulmões... e sentir que ainda há energia que dá pra me levar a seguir por outro tanto do caminho à minha frente!
Não tenho pressa em morrer, por isso, é melhor viver bastante...

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Daqui pra aí...

Tá acontecendo muito perto, não dá pra ficar longe... Difícil é querer viver e não ter uma coleção de cicatrizes pra mostrar...